quarta-feira, 28 de março de 2018

A PAINEIRA

                                                                         Para meu amigo JOSÉ, de Canoas






Daqui vejo a paineira florida
sem tempo de existência, sempre esteve ali,

paineira florida da minha casa
debaixo dela meu pai assa o churrasco de aniversário.
Daqui pressinto a cidadezinha simples dos primeiros tempos
que amei e hoje é rica e não reconheço.
Jogo a bola oficial no campo do clube Brasil
a camiseta verde da espera
onde exerço o poder que têm os donos da bola.
Ninguém notou (eu era perna de pau)
fui expulso nos primeiros minutos do segundo tempo
por quebrar a vidraça do edifício novo.
Hoje, consertador de vidraças, jogo o mesmo jogo da infância e juventude

debaixo da velha paineira onde meu pai insiste em acender o fogo efêmero

e a brasa apaga sempre quando eu sopro. 

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