Minha avozinha
reclinada na sua cadeira de balanço
emurchecida, sozinha no seu mundo particular,
repetia sua litania
"na próxima encadernação não quero vir mulher
mulher sofre demais..."
Eu, como minha avozinha,
vou pedir empenhadamente na próxima encadernação
para vir cachorro, pelo grande coração que eles têm.
Se não for possível
(não tenho grande prestígio lá encima)
aceito vir passarinho, passarinho qualquer
cujo canto no alvorecer
se confunda na melodia
com os cantos imateriais
do poeta Mário Quintana.
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