Estou quase cego
quase mudo, não falo com ninguém
sou surdo como a pedra do Drummond
não ouço bem
(verdade, ouço Brahms e Corelli para agradar
minha gatinha vira-lata)
quase não como, não tenho fome, caminho com
dificuldade imensa,
ando na quadra
e volto cansado em seguida para o que chamo
minha casa.
Não se enganem : não sou triste.
"Hodido, pero contento", repetia meu amigo
uruguaio.
Sou um fingidor como o poeta de Pessoa
rio, debocho, gargalho
igual fazem
os que se riem de mim.
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