quarta-feira, 2 de maio de 2018

DRUMOND E PESSOA

Estou quase cego
quase mudo, não falo com ninguém
sou surdo como a pedra do Drummond

não ouço bem
(verdade, ouço Brahms e Corelli para agradar minha gatinha vira-lata)
quase não como, não tenho fome, caminho com dificuldade imensa,
ando na quadra
e volto cansado em seguida para o que chamo minha casa.




Não se enganem : não sou triste.
"Hodido, pero contento", repetia meu amigo uruguaio.
Sou um fingidor como o poeta de Pessoa

rio, debocho, gargalho
igual fazem

os que se riem de mim. 

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