que estou gagá.
Também isto é muito natural
em alguém que vai chegando aos noventa.
inventei coisas terríveis
de gente próxima a mim
evangélicas e puras como a própria virgem,
mentiras e absurdos que hoje me dão vergonha.
Ouço vozes que gargalham, zombam de mim,
lembrando momentos de gozo inigualável.
Tudo delírio meu,
imaginação enfermiça
decrepitude doentia que não controlo.
Tudo mentira, alucinação.
A única verdade (ninguém acredita)
é a história da dinamarquesa
(muito mais alta que eu, que sou baixinho)
que se apaixonou por mim (a única).
Isto sim aconteceu.
Quando ela voltou pra Europa
sem dizer adeus
eu morri de amores
e nunca mais soube de mim.
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