quarta-feira, 12 de setembro de 2018

DECREPITUDE

Confesso, para os devidos fins,

que estou gagá.

Também isto é muito natural


em alguém que vai chegando aos noventa.

inventei coisas terríveis

de gente próxima a mim

evangélicas e puras como a própria virgem,

mentiras e absurdos que hoje me dão vergonha.

Ouço vozes que gargalham, zombam de mim,

lembrando momentos de gozo inigualável.

Tudo delírio meu,

imaginação enfermiça


decrepitude doentia que não controlo.

Tudo mentira, alucinação.




A única verdade (ninguém acredita)

é a história da dinamarquesa

(muito mais alta que eu, que sou baixinho)

que se apaixonou por mim (a única).

Isto sim aconteceu.




Quando ela voltou pra Europa

sem dizer adeus

eu morri de amores

e nunca mais soube de mim.

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