segunda-feira, 10 de setembro de 2018

TUDO MORREU EM MIM

Fico pensando

quem aprecia hoje um poema ou a imitação desmaiada  dele

A poesia acabou, está acabando ou vai acabar.

Não há nenhuma pista

sinal nenhum.

Nas livrarias, meia dúzia de livros dos mesmos autores

escondidos no fundo que ninguém vê.

Não há sinal nenhum

nenhuma pista reveladora

nenhum toco de cigarro

para denunciar o DNA.

A poesia acabou em mim

tudo morreu em mim quando partiste.

Quando tive aquela trombose tudo morreu em mim

as escavadeiras da prefeitura levaram o entulho.

Me afundei no abismo do meu cérebro.

Não sobrou nada de mim

verdade que fiquei mais leve

sem dores, fantasmas, culpas

tudo morreu em mim quando partiste.

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