segunda-feira, 10 de setembro de 2018

PASSARINHO NA VARANDA

Um passarinho


(que não sei o nome

tenho sempre de perguntar a eles

não guardo nunca o nome dos passarinhos)

pousou na minha varanda improvável de Copacabana

me viu e fugiu em seguida

ele aprendeu que o bicho homem não merece confiança.




Sei que não tem nada a ver

mas me lembrei do Viterbo, um advogado gaúcho,

preso comigo na primeira prisão política em 1964.

Viterbo tinha visão e pressentimento :

quando saiu da prisão se matou dias depois.




Virou passarinho para me alegrar nas manhãs sombrias de Copacabana.

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